O setor sucroenergético reúne a produção de açúcar, etanol e bioeletricidade a partir da cana-de-açúcar e, cada vez mais, do milho. No Brasil, ele sustenta boa parte da oferta de combustível renovável e mantém o país entre os maiores exportadores de açúcar do mundo.
As tendências do setor sucroenergético em 2026 deslocam o foco da disputa de preço de commodity para a disciplina de custo dentro da usina. Margem apertada, mudança no mix de produção e avanço da digitalização colocam a eficiência operacional no centro das decisões.
Este artigo mapeia o que está em jogo neste ciclo e onde estão as oportunidades concretas para quem opera uma usina.
Panorama 2026: como está o setor sucroenergético
A safra 2025/26 chega a 2026 com produção menor e margem sob pressão. A moagem do Centro-Sul recuou para 593,3 milhões de toneladas, queda de 4,6% frente ao ciclo anterior, segundo a CNA. O mix subiu para 50,51% do ATR destinado ao açúcar, movimento que buscou capturar preço melhor no mercado internacional.
O preço internacional do açúcar não acompanhou o movimento. A commodity fechou 2025 com queda superior a 20%, o pior resultado desde 2018, de acordo com levantamento da AgFeed. No etanol, o derivado de milho cresceu 16% na safra 2025/26 e alcançou 9,5 bilhões de litros, vetor de oferta destacado pelo RaboResearch.
Para a safra 2026/27, a Safras & Mercado projeta etanol total em alta de 10,7%, alcançando 42,58 bilhões de litros, com exportação de açúcar recuando 14,2%. A mistura de etanol anidro na gasolina está em 30% (E30), e há discussão de elevação para 35% no segundo semestre.
O recado para a operação é direto: produzir mais com margem menor cobra controle fino de custo.
As tendências que vão moldar o setor
Cinco movimentos organizam o setor sucroenergético em 2026, e a maioria deles pressiona a operação por dentro.
- Protagonismo do etanol e mudança de mix: com petróleo valorizado e E30, as usinas tendem a direcionar mais cana para o etanol.
- Avanço do etanol de milho: a nova capacidade amplia a oferta, com alerta de superoferta no médio prazo levantado pelo Rabobank.
- Margem sob pressão: a queda do açúcar somada ao custo de insumo em alta coloca o custo no centro da decisão de produção.
- Digitalização da operação: a decisão na usina passa a depender de dado em tempo real, além da experiência da equipe.
- Descarbonização e bioenergia: RenovaBio, bioeletricidade e demanda por combustível renovável sustentam a relevância do setor no longo prazo.
Três dessas tendências, mix, margem e digitalização, convergem para o mesmo ponto: a eficiência operacional define quanto de margem a usina consegue preservar neste ciclo.
Onde estão as oportunidades dentro da usina
A maior oportunidade operacional do ciclo está no combustível. O diesel move a frota agrícola e a logística da cana, e está entre os principais componentes das despesas em propriedades altamente mecanizadas, conforme reportagem da Folha Agrícola com dados da Agrotis.
Frota agrícola e logística da cana
Colheitadeiras, tratores, conjuntos de transbordo e caminhões de cana concentram o consumo de diesel ao longo da safra. Quando o abastecimento ocorre em controle manual ou planilha, três problemas aparecem: falta de rastreabilidade por máquina, dificuldade de fechar o estoque e brecha para desvio.
Expedição de etanol e terminais de distribuição
A oportunidade não termina na frota. A saída do produto, na expedição de etanol e nos terminais de distribuição, também ganha com automação: carregamento controlado, medição integrada e dados que conectam a produção à logística.
Gestão de combustível como alavanca de margem
A gestão de combustível ganhou peso estratégico e funciona hoje como alavanca direta de margem. O caminho que vai da planilha ao monitoramento em tempo real dá à usina visibilidade sobre cada litro consumido, por máquina e por operador.
Em maio de 2026, a Usina São José da Estiva, do ecossistema Copersucar, implantou um sistema automatizado de gestão de abastecimento, com monitoramento em tempo real do consumo de combustíveis e lubrificantes, segundo o Cana Online. O caso ilustra o que a automação resolve na prática:
- Rastreabilidade de cada litro, vinculada à máquina e ao operador.
- Bloqueio do abastecimento para veículo ou pessoa sem autorização, o que reduz desvio.
- Integração com o ERP, com baixa automática de estoque e lançamento financeiro.
- Dashboards em tempo real para decidir sobre consumo, frota e custo.
Cada um desses pontos transforma um gasto difícil de enxergar em dados de gestão. Em um ciclo de margem apertada, essa visibilidade protege o resultado.
Como avaliar uma solução de automação de abastecimento
Antes de escolher uma solução de automação de abastecimento, cinco critérios ajudam a avaliar se ela cobre a realidade de uma usina:
- Integração com o ERP e com os sistemas de gestão já usados na operação.
- Identificação automática da frota, por exemplo via RFID, e do operador.
- Controle de frota própria e terceirizada no mesmo sistema.
- Rastreabilidade por litro com trilha de auditoria para conferência.
- Suporte e engenharia preparados para o ambiente da usina, com poeira, vibração e operação contínua na safra.
A Abastek atua nesse recorte, com automação de abastecimento de frotas, expedição de etanol e terminais de distribuição para o setor sucroenergético.
A margem se defende dentro da usina
O setor sucroenergético entra em 2026 com mais produção de etanol e menos margem por tonelada. Com o preço de commodity fora do controle da usina, o custo operacional decide o resultado, e o combustível é a alavanca mais direta ao alcance da gestão. Avaliar a maturidade da gestão de abastecimento é um bom ponto de partida.
Para levar esse controle à saída do produto, conheça as soluções de automação de distribuição e expedição de etanol da Abastek.
Perguntas frequentes
O que é o setor sucroenergético?
Reúne a produção de açúcar, etanol e bioeletricidade a partir da cana e do milho. No Brasil, responde por parte importante da oferta de combustível renovável.
Quais são as principais tendências do setor sucroenergético em 2026?
Protagonismo do etanol, avanço do etanol de milho, margem pressionada, digitalização da operação e mistura de anidro em 30%, com discussão de E35.
Por que a gestão de combustível importa para as usinas?
O diesel está entre os maiores custos de uma operação mecanizada. Controlar o consumo protege a margem em um ciclo de preços apertados.
O que a automação do abastecimento resolve?
Rastreabilidade por litro, prevenção de desvio, identificação de máquina e operador, integração com ERP e decisão por dado em tempo real.
Como escolher uma solução de automação de abastecimento?
Avaliar integração com os sistemas de gestão, identificação automática da frota, controle de frota própria e terceirizada, trilha de auditoria e suporte de engenharia para o ambiente da usina.